O Choosing Wisely Portugal – Escolhas Criteriosas em Saúde é um programa global de Educação para a Saúde destinado a médicos e doentes, que foi lançado em 2012 nos Estados Unidos, tendo sido já aplicado em diversos países, como na Austrália, Brasil, Canadá, Itália, Japão, Reino Unido, Suíça, e agora em Portugal, onde é promovido pela Ordem dos Médicos (OM).

“Este projeto faz parte de uma aposta que a Ordem dos Médicos está a desenvolver no sentido de aumentar a informação em saúde para todas as pessoas, em especial para os doentes, mas também para os profissionais de saúde”, explicou o bastonário da OM, Miguel Guimarães, no final da apresentação do projeto feita pelo médico e diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, António Vaz Carneiro.

As recomendações são realizadas por peritos na área e emitidas pelos Colégios da Especialidade da Ordem dos Médicos, com respetiva fundamentação científica, contribuindo assim para uma melhor qualidade nos cuidados de saúde prestados e servindo de suporte à comunicação médico-doente. Contudo, salientou o bastonário, “nunca substituem a relação médico-doente, que é a joia da coroa, porque aquilo que o doente quer é falar com o médico”.

“Estamos a falar de recomendações, não estamos a falar de obrigações, que podem dar aos doentes e à relação médico-doente uma partilha naquilo que é a decisão sobre determinado tipo de circunstâncias, seja sobre um exame auxiliar de diagnóstico, que pode ou não pode ser feito, ou sobre um determinado tratamento, que pensamos que pode ser útil a breve prazo” adiantou.

O bastonário dos médicos deu alguns exemplos como o caso de um doente que tem uma apendicite aguda e que não tem indicação para fazer uma TAC (Tomografia Computorizada), mas sim uma ecografia.

Apesar de a TAC dar um diagnóstico quase 100% seguro de apendicite aguda e a ecografia ter um diagnóstico de 96, 97%, se for analisada “a eficácia do meio de diagnostico versus os seus efeitos laterais, a ecografia é o exame recomendado”, justificou.

Outra situação, mais complexa, prende-se com o cancro da próstata, em que a informação que o doente tenha nesta área pode ser determinante para poder optar por um tratamento ou outro.

“Dependendo da agressividade do tumor”, o doente pode não fazer um tratamento ativo, mas ser vigiados de uma forma ativa, pode fazer um tratamento com intuito curativo – prostatectomia radical, radioterapia -, pode um tratamento minimamente invasivo ou um tratamento com medicamentos (hormonas) quando a doença já não esteja localizada.

Mas “se eu propuser a um doente com um cancro da próstata, um tumor que seja pouco agressivo, que pode ser vigiado, o doente vai seguramente a outro médico e provavelmente vai querer fazer um tratamento ativo. Pode fazê-lo, não é errado, mas o mais recomendável nestas circunstâncias é ser vigiado”, disse Miguel Guimarães.

O que se pretende é que os doentes possam ter mais informação para possam partilha com o seu médico “algumas decisões em termos do que se vai fazer em termos de diagnóstico e tratamento”.

Questionado sobre o que distingue esta informação, disponível em www.ordemdosmédicos.pt da existente na Internet, Vaz Carneiro disse que é baseada “na melhor evidência científica”.

“Se se pesquisar no Google a palavra ‘health’ há milhões de milhões de sites, 99,999% dos quais são mentirosos, corruptos, comerciais e inválidos. Ainda assim restam centenas de milhares de sites excelentes que os doentes infelizmente não são capazes de identificar”, disse Vaz Carneiro.

A Ordem dos Médicos ao fazer este projeto “está a tentar substituir esse campo de pesquisa extraordinariamente difícil para um doente, com uma informação de alta qualidade baseada na melhor evidência científica”, salientou.

LUSA

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