O estudo foi desenvolvido por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, que efetuaram uma síntese estatística dos mais importantes trabalhos realizados sobre este tema.

“O acesso a ‘auxiliares de decisão’ aumenta significativamente o conhecimento dos pacientes, reduz a indecisão e fomenta um papel ativo por parte dos homens que têm de decidir se realizam ou não o PSA – uma análise que pode identificar cancro da próstata, mas que apresenta diversos riscos, como sobrediagnóstico e efeitos adversos do sobretratamento, como disfunção erétil e incontinência urinária”, esclarecem os investigadores.

Os “auxiliares de decisão” são ferramentas baseadas na evidência científica, desenhadas com o objetivo de apoiar o processo de decisão por parte do paciente, no que se refere à sua saúde, e podem ser implementados em diferentes formatos (internet, papel, vídeo).

Neste processo de decisão médica partilhada, o doente compreende o risco e gravidade da doença a ser prevenida e é informado dos riscos, benefícios, alternativas e incertezas do teste, devendo ponderar estes dados à luz dos seus valores pessoais.

A presente revisão sistemática e meta-análise pretendeu comparar o impacto dos auxiliares de decisão baseados na internet com outros formatos para o apoio à decisão de rastreio do cancro da próstata.

“Os resultados comprovaram que os ‘auxiliares de decisão’ na internet melhoram o conhecimento sobre o rastreio do cancro da próstata, diminuem o conflito decisional e fomentam um papel ativo do doente na decisão”, explica, em comunicado, Sofia Baptista, investigadora do CINTESIS e primeira autora deste trabalho.

Embora os resultados revelem um desempenho semelhante dos diferentes formatos, o investigador Carlos Martins, que coordenou esta investigação, considera que os “auxiliares de decisão” baseados em ferramentas ‘web’ poderão ser os mais indicados para aumentarem a capacidade de os homens participarem no processo de decisão relativamente à realização do teste PSA, de forma fácil, anónima e com baixo custo.

“Precisamos de apostar na criação de ‘sites’ com informação médica de alta qualidade, mas que seja suficientemente clara e concisa para ser apreendida pelos pacientes”, propõe o especialista do CINTESIS.

O rastreio do cancro da próstata através do PSA, dirigido a homens assintomáticos e sem fatores de risco, é uma das situações em que é advogada a decisão partilhada, uma vez que apresenta vantagens (diminuição da mortalidade, ganho de anos de vida), mas também riscos (diagnóstico de cancros que podem ser inócuos; riscos do tratamento, como disfunção erétil ou incontinência urinária).

Para além de Carlos Martins e Sofia Baptista, este estudo contou com a colaboração dos investigadores Elvira Teles Sampaio (do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Ocidental), Bruno Heleno (da Universidade NOVA de Lisboa) e Luís Filipe Azevedo (do CINTESIS).

O trabalho foi publicado no Journal of Medical Internet Research, revista científica de referência na área da Informática Médica e uma das principais publicações sobre Investigação em Serviços de Saúde.

LUSA/SO/MM

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