“Queremos duplicar a nossa posição no próximo quadro comunitário”, afirmou hoje Manuel Heitor durante a sessão de abertura das comemorações dos 25 anos de existência dos programas de doutoramento em Ciências da Vida do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), que decorreu hoje em Lisboa.

O ministro lembrou que Portugal recebeu quase 1,6% dos fundos comunitários do programa “Horizonte 2020”. O país recebeu cerca de 555 milhões de euros entre 2014 e 2017 e agora tem como meta conseguir um financiamento de dois mil milhões de euros do programa “Horizonte Europa” (2021/2027).

Manuel Heitor lembrou o aumento de investimento nas últimas décadas, apesar de reconhecer que continua a ser residual a percentagem de PIB investido em investigação (1,35%): “Os números têm-se multiplicado ao longo dos anos, mas continuam a ser menos do que desejávamos”.

Também o número de doutorados tem aumentado, mas ainda existe um caminho a percorrer: “Na altura em que foi criado o programa, havia 400 novos doutores por ano. Esse número multiplicou-se por sete. Agora são 2.700 por ano”, lembrou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Em 25 anos, o programa de doutoramento do IGC criou 600 doutorados, que ajudaram a mudar a forma de fazer ciência em Portugal e no mundo.

O cientista António Coutinho foi o mentor do programa e hoje esteve na Gulbenkian, onde foi homenageado por Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, e Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud.

Para Leonor Beleza, António Coutinho é um dos responsáveis pelo reconhecimento internacional dos cientistas portugueses e por ter aberto uma porta que veio permitir competir na área das ciências da vida.

“Estou muito sensibilizado com as palavras de Isabel Mota e Leonor Beleza, mas eu preciso dizer uma coisa: Eu ainda estou vivo”, afirmou António Coutinho arrancando gargalhadas e aplausos de uma plateia de cientistas e investigadores.

O primeiro programa de doutoramento surgiu há 25 anos no Instituto Gulbenkian de Ciência e, até hoje, só no IGC, foram concebidos dez programas. Dos 600 doutorados, cerca de 70% dedicam-se a investigação ou ensino superior, 13% desenvolveram ou integraram a indústria e 9% trabalham em áreas de apoio à ciência.

Atualmente há dezenas de investigadores a dirigir laboratórios em instituições científicas nacionais e internacionais, professores universitários, antigos alunos que lançaram ‘start-ups’ ou trabalham em áreas de apoio à ciência.

LUSA