Depois da varíola, erradicada em 1979, a Organização Mundial de Saúde estima que a Bouba seja a segunda doença a ter o mesmo destino. Isso mesmo pode acontecer já em 2020 e o grande responsável é um médico espanhol, que descobriu as vantagens do tratamento com azitromicina, um antibiótico muito usado no Ocidente, no combate a esta doença endémica dos países tropicais.

A bouba é uma doença infecciosa (causada pela bactéria Treponema pallidium pertenue) que cria úlceras muito dolorosas, que atingem as articulações e os ossos, causando deformações permanentes. A transmissão ocorre pelo contacto direto com as lesões e a maioria dos casos regista-se em menores de 15 anos. Dos mais de 250 mil casos identificados nos últimos anos, mais de 80% concentram-se no Gana, Papua Nova Guiné e ilhas Salomão.

Os tratamentos usados, com recurso à penicilina, não dão a resposta necessária. É necessário administrar várias doses, o que torna difícil e dispendioso o tratamento de uma população de risco que pode rondar os 90 milhões de pessoas em 14 países da Ásia, África e região do Pacífico. Foi no meio da necessidade de aumentar a eficácia e agilizar a resposta que o médico espanhol Oriol Mitjà levou a cabo uma série de análises e estudos clínicos e descobriu a eficácia da azitromicina, um antibiótico usado no ocidente para tratar otites e infeções respiratórias.

“Em 2012, terminámos estudos clínicos em 250 crianças, que demonstraram que um único comprimido curava uma criança. Em 2015, concluímos um estudo que demonstrou que se déssemos um único comprimido a toda a população, podíamos reduzir a prevalência da doença em 90%”, garante Mitjà, citado pelo Jornal de Notícias.  Contudo, em 2018, novas evidências concluíram que pode ser necessária uma segunda dose de azitromicina.

“É mais fácil de administrar e transportar, mais barato e indolor”, explica o médico especialista em doenças infecciosas e investigador do Instituto Global de Saúde de Barcelona. Oriol Mitjà explica que as vacinas de penicilina são mais caras, mais dolorosas e só podem ser administradas por profissionais. No entanto, a investigação, que tem o apoio da fundação “La Caixa”, vai continuar, numa tentativa de conseguir uma alternativa para os 10% de doentes que apresentam resistência e que têm de ser tratados com penicilina.

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