É cada vez mais audível o volume das críticas à decisão da bastonária dos Enfermeiros de criar um subsídio de função para ela própria e para os responsáveis dos órgãos nacionais e regionais da Ordem. Colegas de profissão e antigos dirigentes da Ordem dos Enfermeiros contestam a decisão e falam em falta de transparência e uma medida tomada “no limite da legalidade”, avança o Jornal de Notícias.

A bastonária dos Enfermeiros Ana Rita Cavaco desvaloriza as críticas e garante que recebe 2800 euros de euros líquidos de salário, entre o que receberia caso trabalhasse num centro de saúde e o subsídio de função criado em maio numa assembleia-geral, que decorreu na Madeira, e onde estiveram presentes apenas cem enfermeiros (uma pequena minoria num total de mais de 72 mil enfermeiros que existem em Portugal).

“Numa altura em que enfermeiros lutam para conseguir aumentar uns euros no salário, a senhora bastonária fez aprovar em assembleia-geral aumentos para quem trabalha com ela”, critica um jovem enfermeiro especialista, ouvido pelo JN, e que faz alusão à greve de cinco dias convocada pela classe (termina esta sexta-feira) em que uma das reivindicações é precisamente a revisão das tabelas remuneratórias.

De acordo com o regulamento agora aprovado, o caso da bastonária corresponde ao vencimento-base de um enfermeiro diretor grupo B, ou seja, cerca de 3400 euros brutos. Contudo, os críticos dizem que, a somar a estes valores, acrescem ajudas de custo e despesas de representação.

“Não vejo qualquer coerência em realizar a assembleia numa região que tem apenas 3% dos enfermeiros que exercem em Portugal”, diz Germano Couto ao bastonário que exerceu funções entre 2012 e 2015, antes de Ana Rita Cavaco ser eleita para o cargo. A antiga bastonária Maria Augusta Sousa garante, tal como Germano Couto que nunca foi nenhum subsídio extra para exercer funções na Ordem dos Enfermeiros. “Sem a presença dos enfermeiros e quase só os membros da Ordem a votar, tudo é aprovado e não são feitos debates”, afirma, numa crítica à falta de transparência com que decorreu a votação.

Na mesma assembleia-geral do Funchal ficou também decidido que os membros que têm direito a receber o subsídio vão receber o valor com retroativos a 2016, quando os atuais órgãos sociais tomaram posse.

Ana Rita Cavaco argumenta que “o subsídio de função é um valor justo para o cargo, tendo em conta a atual situação do país e o salário dos enfermeiros”. A bastonária aponta o dedo aos críticos internas e justifica o aparecimento da polémica em torno desta questão com o facto de estarem marcadas eleições para a Ordem já para 2019.

Saúde Online

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