“Foram [recolhidas] 560 toneladas, este número é bom para nós e tudo leva a crer que, se o segundo semestre se comportar como o primeiro, vamos ultrapassar a quantidade de resíduos que recolhemos no ano 2017”, avançou à agência Lusa o diretor-geral da entidade gestora dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso.

Nos primeiros seis meses, “o crescimento foi de cerca de 8% em relação a 2017”, apoiado em campanhas de informação e sensibilização, nomeadamente nas escolas do primeiro ciclo, e “estamos satisfeitos com estes números ainda que estejamos muito longe do que seria ideal”, referiu Luís Figueiredo.

Até 2020, quando termina a licença da Valormed, “o potencial de recolha é de 20%, estamos em crer que, também com a ação das farmácias e das nossas iniciativas de informação e sensibilização, conseguimos atingir essa meta”, realçou o responsável.

Segundo Luís Figueiredo, estudos efetuados com base em valores médios apontam para que estejam a ser recolhidos “cerca de 19% dos medicamentos que foram colocados no mercado”.

As 2.900 farmácias distribuídas pelo país são os pontos de retoma dos resíduos de medicamentos gerados a nível doméstico, ou seja, são os únicos locais onde os portugueses devem depositar os restos dos remédios que não usaram ou aqueles que já passaram o prazo de validade.

Além dos medicamentos para humanos, a Valormed também tem a tarefa de recolher os remédios utilizados na veterinária, que representam 30 toneladas. Não recolhe resíduos hospitalares.

“Da totalidade de resíduos que recebemos, cerca de 42% enviamos para reciclagem – papel, plástico, vidro e cartão -, e os 58% restantes são enviados para incineração segura, com valorização energética”, especificou o diretor-geral da Valormed.

Do total recolhido, 214,6 toneladas de resíduos foram recicladas, 322,9 toneladas incineradas e 1,7 toneladas são de embalagens de medicamentos veterinários.

O medicamento não é um produto que se consuma no imediato, explicou Luís Figueiredo, e pode ficar em casa do consumidor até, pelos menos, ao final do prazo de validade, que varia, mas pode ir até cinco anos.

É difícil ter dados acerca da quantidade de medicamentos que não foram consumidos nem entregues nas farmácias, depois do seu prazo terminar.

Além disso, lembrou, os utentes não separam os diversos materiais que compõem o medicamento, e só era possível ter uma ideia da quantidade de medicamento propriamente dito depositado se o fizessem.

“Para isso era preciso ter não um, mas vários contentores para o plástico, papel e vidro, e os restos de medicamentos”, explicou.

O diretor-geral da Valormed apelou aos portugueses para que façam regularmente uma inspeção à sua farmácia doméstica e entreguem os medicamentos fora do prazo para, depois, a entidade lhes dar “o tratamento ambiental adequado”, por uma questão de proteção da saúde pública e preservação do ambiente.

LUSA/SO