O administrador do hospital Pulido Valente defende que se o Ministério da Saúde tivesse autorizado em tempo útil a contratação de três pneumologistas a unidade não teria ficado sem capacidade para formar especialistas nesta área no próximo ano.

Carlos Martins disse à agência Lusa que “a contratação destes três especialistas daria razão para não ser tomada a decisão que foi tomada” pela Ordem dos Médicos de retirar a capacidade para formar especialistas em pneumologia no próximo ano no Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que integra os hospitais Santa Maria e Pulido Valente.

Para Carlos Martins, administrador do CHLN, “seria razoável” que a Ordem dos Médicos tivesse informado o Ministério da Saúde que, se não fossem autorizados os contratos, seria suspensa a capacidade formativa. “O Ministério da Saúde tomaria certamente a decisão em tempo útil, porque estava em causa a capacidade formativa”, indicou, lembrando que o Pulido Valente é a grande escola de pneumologia do país.

O administrador assumiu que a perda de vagas para formar internos nas áreas de pneumologia e de otorrino foi “uma das notas tristes” dos seus dois mandatos.

Carlos Martins recorda que o CHLN perdeu entre 10 a 12 pneumologistas ao longo dos últimos anos e diz que o Centro Hospitalar propôs há cerca de três meses à tutela a contratação de três especialistas. “Tomámos a decisão em devido tempo”, afirmou.

Entretanto, uma fonte hospitalar do hospital Pulido Valente confirmou à Lusa que pelo menos um dos três pneumologistas que se pretendia contratar, e que tinha feito a formação da especialidade naquele hospital, já saiu e se encontra a trabalhar em outra unidade de saúde.

Carlos Martins já tinha considerado incorreta a decisão de tirar capacidade formativa para 2019 na área de pneumologia e que a decisão da Ordem dos Médicos não foi correta uma vez que o serviço ainda estava sob avaliação.

Segundo a Ordem dos Médicos, foi tomada a decisão de não atribuir vagas de formação em pneumologia no Pulido Valente porque o serviço estava a ser avaliado na sequência de denúncias relativas a situações irregulares, como o caso de internos que estariam a fazer urgência sozinhos.

LUSA