No ano passado, estavam registados 400 farmacêuticos no desempregado, menos 30 do que em 2016. É a primeira vez, em quatro anos, que o número de desempregados desce. Os dados constam do relatório de atividades da Ordem dos Farmacêuticos (OF), citado pelo jornal Público, e mostram também que o número de diplomados em ciências farmacêuticas está a diminuir – isto apesar de os profissionais no ativo continuarem a aumentar.

O número de desempregados neste setor cai, assim, ligeriamente, depois de, em 2016, terem atingido o pico (430). Em 2015, a OF registou 387 farmacêuticos no desemprego. Em 2014, eram 303. A OF disse ao Público que o aumento continuado do desemprego coincidiu “com uma percepção generalizada na classe de mais despedimentos, menos ofertas de emprego e mais dificuldades económicas e financeiras dos operadores, em especial das farmácias e laboratórios de análises clínicas, mas também da indústria farmacêutica multinacional”.

A Ordem admite que a redução registada em 2017 se possa dever a “um ciclo de retoma que o sector começa a viver”. No entanto, a OF também alerta para a possibilidade de o número de desempregados ser superior, uma vez que muitos não comunicam a alteração da sua situação laboral – isto apesar de a Ordem já ter tentado combater este problema quando isentou os farmacêuticos desempregados do pagamento de quotas.

O relatório, que a OF entregou no parlamento, revela que o número de profissionais no ativo ascende a 14.423, quase o dobro dos que exerciam a profissão no início deste século. Contudo, o número de novas admissões na Ordem está a cair: no ano passado, foram 609 (em 2016, tinham sido 753). Esta tendência reflete a diminuição do número de licenciados nesta área: em 2014 rondavam os mil, mas, em 2017, só se formaram 825. “Acresce também que cada vez mais colegas têm optado por experiências internacionais. Ainda assim, a percentagem de novos diplomados que anualmente se inscrevem na OF tem-se mantido constante, a rondar os 80%”, refere a OF.

Mesmo com muitas farmácias a enfrentarem uma situação de insolvência (um quinto das quase três mil que existem no país, segundo a a Associação Nacional de Farmácias), a OF destaca o facto de o setor ter continuado a contratar. As farmácias comunitárias, hospitalares, indústria farmacêutica e análises clínicas são as áreas mais empregadoras. No relatório, a OF sublinha “um crescimento da área da indústria farmacêutica, cujas condições financeiras e de progressão na carreira podem ser mais apelativas para os jovens farmacêuticos”.

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