Está a aumentar a incidência das doenças respiratórias agudas?

Não creio que esteja a aumentar a incidência das doenças respiratórias agudas. Nós temos dois tipos de doenças respiratórias: as crónicas (as mais frequentes são a DPOC, a asma, fibroses pulmonares, bronquiectasias) e depois temos as doenças agudas, que são infeciosas (quer virais, quer bacterianas). E existe um estudo, publicado no prestigiado British Medical Journal, em que investigadores associaram o aumento do risco das infeções respiratórias nos doentes com défice de vitamina D. É uma coisa nova, nós não estávamos muito alertados para isso. Aquilo que eles propõem é que pessoas com doenças respiratórias crónicas devem fazer suplementos de vitamina D no sentido de diminuir essas mesmas infeções respiratórias.

De que modo é que a vitamina D atua nessas pessoas?

Não se sabe muito bem. O que se sabe é que [a vitamina D] parecer ser um protetor, parece aumentar as defesas do próprio organismo. Parece ser esse o efeito. De facto, do ponto de vista metabólico, não se sabe onde é que a vitamina D atua exatamente. O que se sabe é que os doentes com défice de vitamina D parecem ser mais propensos a desenvolver infeções respiratórios do que os doentes com níveis de vitamina D mais elevados.

Essa vitamina serve só para prevenção ou também é usada, depois, no tratamento?

Para o tratamento não. O tratamento das doenças infeciosas faz-se com antivirais e com os antibacterianos. Normalmente adotamos três tipos de medidas face às doenças respiratórias crónicas: medidas de prevenção, medidas curativas e medidas de reabilitação. Aqui, a vitamina D parece ter um papel preventivo, não curativo.

Que tipo de pessoas devem tomar vitamina D, nessa perspetiva de prevenção?

Todos os doentes com doenças crónicas que tenham algum défice imunitário, ou seja, que sejam mais suscetíveis às infeções. Quer os doentes com doenças crónicas respiratórias, quer os doentes com doentes cardíacas crónicas, quer ainda os doentes com diabetes ou com insuficiência renal. Todos estes doentes devem ter suplementos de vitamina D na sua terapêutica.

Isso deve passar sempre por um aconselhamento médico?

Claro. Nós temos dois tipos de vitaminas: temos as vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis, ou seja, aquelas que se dissolvem nas gorduras e aquelas que se dissolvem na água. As que se dissolvem na água, se tomadas em excesso, podem ser expelidas na urina. As lipossolúveis não. Podem depositar-se nos nossos reservatórios. Também deve ser avaliado se o doente tem níveis normais ou baixos. E devem ir-se avaliando os níveis de vitamina D. Muito embora vivamos num país solarengo, a verdade é que temos níveis de vitamina D abaixo do que seria expectável.

E como é que isso se explica?

Não sei. Nós conseguimos transformar a vitamina D através das células que temos no nosso corpo, de melanina, que metabolizam a vitamina D. Nós, estando mais expostos ao sol, deveríamos ter níveis mais elevados de vitamina D.

Tem constatado um aumento das pneumonias nos idosos?

Não, o que existe é um aumento da mortalidade nas pneumonias nos idosos. A incidência não aumentou. Eu sou responsável pelo Observatório Nacional de Doenças Respiratórias e nós publicamos todos os anos um relatório, em que um dos pontos avaliados é exatamente o do internamento relacionado com as principais doenças respiratórias. E uma das principais doenças que avaliamos são as pneumonias. E aquilo que constatamos, de uma forma consistente, há muitos anos, é que a mortalidade por pneumonia é relativamente alta – ronda os 20%, por dois motivos. O motivo principal é o facto de os doentes chegarem muito tarde ao internamento e, quando lá chegam, as medidas que se tomam já são tardias.

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