O número de mortos na epidemia de febre hemorrágica Ébola na República Democrática do Congo subiu para 25, num total de 45 casos, dos quais 14 confirmados, segundo um balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado esta sexta-feira.

A epidemia eclodiu no início do mês numa zona rural da República Democrática do Congo (RDCongo), antes de atingir Mbandaka, uma cidade situada junto ao rio Congo e ligada a Kinshasa através de numerosas conexões fluviais.

As autoridades da RDCongo declararam a 8 de maio uma epidemia de Ébola no noroeste do país, perto do Congo-Brazzaville. Até quarta-feira, as autoridades locais tinham contabilizado 44 casos de ébola, dos quais três confirmados em laboratório.

O último balanço dava conta de 23 mortos. Esta é a nona eclosão do Ébola na RDCongo desde que se descobriu o vírus em 1976 neste país.

Em resposta a este novo surto, o Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) vai reunir-se hoje por teleconferência para analisar a evolução da epidemia de ébola no país.

Uma vez concluídas as discussões, os especialistas apresentarão um relatório ao diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no qual podem recomendar a manutenção das medidas de vigilância e controle ou que seja declarada uma “emergência de saúde” internacional, disse à agência Efe um porta-voz da organização.

O Diretor-Geral da OMS divulgará posteriormente os resultados das deliberações e decisões científicas tomadas, numa conferência de imprensa durante a tarde em Genebra.

Tedros deveria ter comparecido na quinta-feira perante os jornalistas para anunciar as prioridades da 71.ª Assembleia Anual da OMS, que acontecerá na próxima semana, em Genebra, com a presença de ministros e outras autoridades de saúde dos 194 estados membros.

No entanto, devido à perturbadora evolução do Ébola na República Democrática do Congo, Tedros dedicará a sua conferência de imprensa a esta situação e às suas implicações internacionais, disse a porta-voz da OMS, Fadela Chaib.

Na semana passada, a OMS considerou “elevado” o risco de propagação da epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDC) e disse que estava a preparar-se para o “pior dos cenários”.

“Estamos muito preocupados e estamos a preparar-nos para todos os cenários, incluindo o pior”, declarou na altura o diretor do programa de gestão de situações de emergência da OMS, Peter Salama, durante uma conferência de imprensa em Genebra.

O responsável, citado pela France Presse, precisou que a agência especializada das Nações Unidas contabilizou 32 casos, entre os quais 18 mortes, entre 04 de abril e 09 de maio.

A última epidemia de ébola de impacto internacional ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, causando mais de 11.000 mortes na Guiné, Serra Leoa e Libéria, países cujas economias e estruturas sociais sofreram gravemente com a situação.

LUSA