O presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, criticou hoje o hospital da cidade, dizendo que “o que se está a passar é muito mau” e que “40 milhões de euros de investimento estão votados ao abandono”.

“O que se está a passar é muito mau. Toda a gente se queixa. São 40 milhões de euros investidos votados ao abandono”, comentou o autarca, em declarações à agência Lusa. O chefe do executivo afirmou estar “apreensivo” com o presente e com o futuro daquela unidade que integra o Centro Hospital do Tâmega e Sousa (CHTS), sediado em Penafiel.

As novas instalações do hospital de Amarante, em funcionamento há cerca de cinco anos, custaram cerca de 40 milhões de euros, mas são recorrentes as críticas dos utentes sobre a quantidade e a qualidade dos serviços, com destaque para as insuficiências do serviço de urgência.

Insistindo no tom crítico, acrescentou: “É um hospital que ainda não é um hospital, em que as pessoas não acreditam nele para resolver os seus problemas. É um hospital que não tem capacidade de resposta”. José Luís Gaspar sublinha que o hospital abriu há cinco anos, mas os recursos humanos continuam a não ser suficientes.

“O projeto já leva cinco anos e continuarmos a dizer que vamos apostar em recursos humanos começa a ser complicado acreditar que há mesmo essa vontade”, lamentou, defendendo ser agora “a altura certa de alguém responder”. “Querem que o hospital de Amarante seja mesmo um hospital ou mais do mesmo?”, questionou ainda, precisando que “mais do mesmo é um hospital a que lhe falta tudo”.

O presidente da Câmara de Amarante, que chegou a ser administrador do antigo Hospital de São Gonçalo, recordou que a cidade tinha um equipamento que funcionava, apesar de as instalações não serem as desejadas, mas perdeu qualidade quando foi integrado no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, com sede em Penafiel.

“Custa muito a construir um hospital, mas tínhamos um hospital, com uma excelente equipa técnica de médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar”, acentuou. “Quando se faz um hospital novo, o desejável era pegar nessa gente e dar continuidade”, prosseguiu, lamentando que se tenha “descapitalizado um património que era excelente”, devido à excessiva centralização de serviços em Penafiel.

Para o chefe do executivo de Amarante, a responsabilidade não deve ser imputada à administração do CHTS, mas à tutela nacional. “A administração diz que está a tentar. Percebo, não culpo a administração, isto é um problema daquilo que é a vontade política nacional”, afirmou, indicando ter pedido uma reunião ao Governo sobre o assunto.

Gaspar defende, por outro lado, que a unidade hospitalar de Amarante deveria voltar a adotar a designação de “Hospital de São Gonçalo” e recuperar a autonomia face a Penafiel.

“Deem autonomia aqui e deixem ter uma equipa que prove que o hospital pode funcionar em pleno. Vou pedir que haja razoabilidade. Quando temos um equipamento, temos de lhe dar uso”, reforçou.

Sobre as declarações do presidente do município de Amarante, fonte da administração do CHTS disse hoje à Lusa que tem procurado “aumentar gradualmente a produção do hospital de Amarante” e que o assunto “tem sido tratado” em reuniões com a câmara e com a tutela.

LUSA