Este estudo, que será apresentado publicamente hoje à tarde, foi elaborado pela Câmara Municipal de Loures (distrito de Lisboa), em parceria com a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, recorrendo a dados estatísticos com um espaço temporal compreendido entre 2008 e 2016.

Um dos dados apontados neste estudo é de que as principais causas de morte no concelho de Loures foram em 2013 (ano com dados mais atualizados) as doenças do aparelho circulatório (29,6%) e oncológicas (27%), que segundo os autores é uma tendência nacional.

Contudo, os números demonstram uma diminuição de casos de morte por doenças do aparelho circulatório e um aumento das doenças oncológicas, nomeadamente da bexiga e do tecido linfático.

No entanto, um dos principais enfoques deste estudo é a “carência de respostas na área da saúde mental, bem como para pessoas com deficiências e incapacidades, nomeadamente a nível de infraestruturas.

“O concelho de Loures tem uma significativa carência de equipamentos. A inexistência de instituições locais de apoio direto aos indivíduos portadores de deficiência e a escassez de respostas a nível local tem levado a população a procurar cuidados junto de instituições com sede em concelhos limítrofes”, refere o estudo.

Nesse sentido, nas recomendações feitas à Câmara Municipal de Loures, aponta-se para a necessidade de “criar estruturas de apoio e acompanhamento a pessoas com doenças do foro neurológico e psiquiátrico” e de “operacionalizar a “Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados na área da saúde mental”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), sublinhou a importância deste estudo como documento de trabalho, mas reconheceu a necessidade de se encontrarem dados mais atualizados, ressalvando que “é um ponto de partida para outras análises”.

“Não pretendemos tirar conclusões definitivas. Queremos é saber mais para poder atuar melhor. Este perfil da saúde é uma base para sustentarmos aquilo que fizermos daqui para a frente”, apontou.

Bernardino Soares destacou o facto de este estudo contemplar “uma visão global da saúde, abordando áreas como a Habitação, Educação e Ambiente”, uma vez que, para o autarca, “não se pode ver a Saúde como uma questão isolada”.

Relativamente à área da Saúde Mental, Bernardino Soares reconheceu que “é um problema no concelho”, referindo que “para isso muito contribuiu o encerramento em 2012 do Núcleo de Intervenção Comunitária (NIC) de Loures do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, uma unidade pertencente ao Júlio de Matos.

Segundo dados da autarquia, no último ano de funcionamento o NIC de Loures efetuou 3.455 consultas de psiquiatria a um total de 1.200 utentes e 1.016 de psicologia, a 296 pessoas.

Bernardino Soares sublinhou o facto de 50 mil utentes do concelho não terem atribuído médico de família, defendendo a necessidade de o Governo reforçar o número de médicos nos centros de saúde.

“Outra das virtudes deste estudo é que ele dá-nos mais legitimidade para continuar a exigir do Governo melhores respostas a nível dos centros de saúde e do hospital, porque é impossível fazer omeletes sem ovos”, concluiu.

LUSA/SO