De acordo com os resultado  do estudo Individualized Comparative Effectiveness of Models Optimizing Patient Safety and Resident Education (iCOMPARE), publicado há dias na edição online do New England Journal of Medicine, Médicos Internos com menos horas de trabalho descrevem maior satisfação com a própria formação e com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal do que aqueles com horários flexíveis e turnos mais longos. Os resultados revelam ainda que a diminuição das horas de trabalho dos residentes não parece alterar os resultados na formação deles.

“Muitos educadores têm se preocupado que a restrição criada com as horas de serviço do trabalho em turnos prejudique a formação e a socialização dos jovens médicos”, disse o investigador responsável Dr. David Asch, médico da University of Pennsylvania, na Filadélfia (EUA), em um comunicado à imprensa.

“Formar jovens médicos é criticamente importante para o a saúde, mas não é a única coisa que importa. Não encontramos diferenças significativas entre os resultados da formação, mas ainda aguardamos os dados sobre os padrões de sono dos internos do primeiro ano e a segurança dos pacientes tratados por eles”, acrescentou.

A questão remonta pelo menos a 2003, quando o Accreditation Council of Graduate Medical Education (ACGME) restringiu o horário de trabalho dos médicos internos a 80 horas por semana em turnos de 30 horas. Em 2011, o ACGME reduziu ainda mais os turnos para 16 horas para os internos do primeiro ano.

Antes dessas alterações, os horários dos internos costumavam ser irrestritos. Mais de noventa horas de trabalho por semana em turnos de 36 horas muitas vezes eram a regra. Os diretores dos programas muitas vezes justificavam estas quantidades de horas, dizendo que contribuíam para a continuidade dos atendimentos e ajudavam a treinar os médicos a terem bom desempenho mesmo com privação de sono e trabalhando sob pressão.

Avaliações preliminares mostraram que a redução do horário de trabalho não afetou significativamente os desfechos dos pacientes. No entanto, os diretores dos programas seguiram argumentando que a qualidade da formação e do desenvolvimento profissional dos internos poderia estar sendo prejudicada. E continuavam a expressar preocupações sobre a segurança e a qualidade da assistência ao paciente.

Para descobrir o que realmente está acontecendo, os pesquisadores realizaram um estudo aleatorizado com 63 programas de internato de medicina interna nos Estados Unidos entre julho de 2015 e junho de 2016.

Medscape/New England Journal of Medicine/Comunicado de imprensa