Leonor Faleiro

O estudo, iniciado em 2016 com o apoio da Maratona da Saúde, tem como objetivo analisar a ligação entre alguns microrganismos e o desenvolvimento de determinadas doenças, como a diabetes, depois de Leonor Faleiro ter observado que as crianças que desenvolviam a doença apresentavam um desequilíbrio no perfil de proteínas intestinais. A investigadora do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da UAlg explicou à Lusa que se verifica um aumento da bactéria “Bacteroides dorei” no intestino das crianças em risco de desenvolverem diabetes tipo 1, antes do diagnóstico, o que a levou a querer perceber melhor o fenómeno.

“Precisamos de entender de onde vem este aumento e depois como é que ele interfere com o sistema imunitário do hospedeiro, ou seja, que componentes vão desencadear esta resposta”, referiu, sublinhando que ainda não se conseguiu concluir se os microrganismos são resultado da doença ou causadores da doença. De acordo com a cientista, que se licenciou em Agronomia, a diabetes é uma doença multifatorial, havendo “quem tenha marcadores e depois não desenvolva a doença, provavelmente, por não ter sido exposto aos fatores que a desencadeiam, seja a bactéria ou a algo que a favoreça”.

Se, por um lado, existem teorias que apontam a exposição excessiva ao glúten como uma das causas para o desenvolvimento da doença nestas crianças, outras atribuem-na à falta de exposição à grande diversidade de microrganismos, causada pelo excesso de sanitização, explicou. Com base em dados que demonstram que grande parte das crianças diabéticas finlandesas é portadora de “Bacteroides dorei”, a investigadora está a tentar comparar, a partir do isolamento desta bactéria, em que medida é que os microrganismos participam no desenvolvimento da doença.

De momento, a prioridade é perceber como se comporta a bactéria e que fatores contribuem para a sua presença no sistema intestinal das crianças diabéticas, nomeadamente, o estilo de vida e a alimentação, comparando crianças que são portadoras com outras que não são portadoras da doença. Segundo Leonor Faleiro, vivemos “no planeta dos micróbios”, razão pela qual a utilização diária de sabonetes que eliminam 99,9% das bactérias “não é benéfica”, já que as bactérias existem para nos defender dos agentes patogénicos”.

LUSA/SO