Investigadores do Porto analisaram dados de pacientes seguidos em três unidades de saúde do Norte, concluindo que, ao fim de um ano, 7% dos indivíduos com diabetes do tipo 2 desenvolveram úlcera de pé diabético.

Desta amostra, “a esmagadora maioria dos pacientes (99%) tinha diabetes tipo 2, sendo que 69% usavam apenas comprimidos para controlar os níveis de açúcar no sangue e 77% tomavam medicação para a hipertensão”, disse à agência Lusa a investigadora do Cintesis Matilde Monteiro Soares.

As conclusões deste estudo revelaram que, ao final de um ano, 7% dos indivíduos com diabetes desenvolveram úlcera de pé diabético, 1.6% sofreram uma amputação e 4% acabaram por morrer.

A maioria destes eventos, indicou a investigadora, ocorreu em utentes seguidos em ambiente hospitalar, que eram também os que apresentavam maior duração da diabetes e mais complicações decorrentes da doença.

Neste projeto, que deu origem a um artigo publicado na revista científica “Diabetes Research and Clinical Practice”, a equipa responsável analisou igualmente as diferentes classificações clínicas utilizadas para identificar o risco de os indivíduos desenvolverem pé diabético, incluindo a utilizada pelo Sistema Nacional de Saúde).

“Analisamos as classificações existentes, em contexto hospitalar e nos cuidados de saúde primários, para tentar perceber qual seria a melhor ou mais válida para identificar esses indivíduos”, disse à agência Lusa a investigadora do Cintesis Matilde Monteiro Soares.

De acordo com a investigadora, as diferentes classificações existentes “são robustas e equiparáveis”, tendo a equipa concluído que, “para já, são todas úteis”.

Segundo Matilde Monteiro Soares, todas as variáveis incluídas nas classificações clínicas (problemas de visão ou físicos, deformidade dos pés, onicomicoses, doença arterial periférica, neuropatia diabética periférica, sensibilidade alterada, história de úlcera do pé diabético ou de amputação da extremidade inferior), “estiveram associadas a um maior risco de desenvolvimento de úlcera de pé diabético, a um ano”.

Contudo, a maior duração da diabetes, o uso de insulina e a presença de mais do que um sintoma da neuropatia diabética periférica e dor em repouso também revelaram uma associação “estatisticamente significativa” com o resultado, acrescentou.

Matilde Monteiro Soares acredita que, apesar dos resultados obtidos neste estudo, existem algumas possibilidades de melhorar as classificações clínicas utilizadas pelos profissionais de saúde.

Na sua opinião, seria igualmente importante usar as mesmas para “algo prático”.

“Essas classificações podem ser utilizadas como uma ferramenta fundamental para a tomada de decisão, levando a uma atitude clínica diferente e possibilitando um estudo mais completo dos doentes de alto risco, guiando-os para centros especializados”, salientou.

A investigadora contou que, através do Observatório Nacional da Diabetes, verificou-se uma “diminuição impressionante” no número de amputações em Portugal ao longo dos anos.

Além disso, as consultas têm sido “cada vez mais bem apoiadas” e, “embora exista ainda alguma limitação no acesso a consultas especializadas em todo o país”, os cuidados “estão ao nível dos cuidados europeias”, destacou.