A Ordem dos Médicos quer uma definição clara do encaminhamento dos doentes que façam testes de rastreio ao VIH e hepatites nas farmácias e apela a que seja salvaguardada a confidencialidade dos utentes e a formação dos farmacêuticos. Em declarações à agência Lusa, o bastonário dos Médicos considera que o despacho que permite realizar testes de rastreio ao VIH e às hepatites B e C nas farmácias tem “objetivos nobres”, como tentar a erradicação da hepatite C e detetar mais precocemente as infeções por VIH/sida.

“Mas é fundamental definir como estas pessoas vão ser seguidas e orientadas. Tem de existir uma via verde para as pessoas com testes reativos e o fluxo deve ser bem definido”, comentou Miguel Guimarães, indicando que é necessário compreender se os utilizadores com testes reativos são encaminhados para os médicos de família ou diretamente para os hospitais.

Estes testes rápidos de rastreio que passam a poder ser feitos nas farmácias não indicam um diagnóstico, sendo antes um despiste, dando sinais da presença da infeção. Contudo, a confirmação e o diagnóstico têm de ser realizados por um médico. Estes testes rápidos vão poder ser feitos nas farmácias, sem necessidade de prescrição médica e, como tal, sem comparticipação estatal.

O bastonário da Ordem dos Médicos apela ainda para que seja salvaguardada a confidencialidade dos utentes e dos resultados e pede que sejam os farmacêuticos, e não os técnicos de farmácia, a realizar estes testes. Além disso, Miguel Guimarães considera fundamental ter um plano de formação para os farmacêuticos, que contemple também a forma como são comunicados os resultados a quem faça os testes.

O Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) já veio saudar a possibilidade de realizar testes de rastreio ao VIH e às hepatites B e C nas farmácias e lembrou que não se trata de um diagnóstico, mas antes de um despiste. Luís Mendão, dirigente do GAT, vê como positivo que se multipliquem os locais onde as pessoas podem fazer testes rápidos de rastreio ao VIH e hepatites B e C, considerando a nova medida como um “instrumento para maior acessibilidade” embora não sendo “uma varinha mágica”.

Segundo o diploma ontem publicado em Diário da República, as farmácias vão passar a poder fazer testes rápidos de rastreio ao VIH/sida e às hepatites B e C, sem necessidade de prescrição médica. Dentro de 30 dias têm de estar prontas as normas técnicas e organizacionais necessárias.

O GAT sublinha que com estes testes os utentes não saem com resultado definitivo, mas antes com uma indicação de que necessitam de um diagnóstico. “São testes simples, mas não são testes de diagnóstico. Os testes fazem a pesquisa de anticorpos ou antigénio e não da infeção. O resultado passa por verificar a necessidade de encaminhar a pessoas para uma consulta e um diagnóstico”, indicou Luís Mendão. Luís Mendão refere também que estes testes rápidos de rastreio, que serão pagos por cada um, vêm assim juntar-se aos locais onde os testes já são realizados a cargo do Serviço Nacional de Saúde e de forma gratuita para o utente.

Trata-se de complementar a deteção precoce das infeções do VIH e hepatites virais, cujo diagnóstico hoje em dia é feito em centros de saúde, hospitais, centros de aconselhamento de deteção precoce da infeção VIH/sida (CAD) e nos centros de respostas integradas para comportamentos aditivos e dependências (CRI).

LUSA/SO