Além de homenagear o cientista português, a Gago Conference, que englobará um ou dois encontros por ano, visa “reforçar o ativismo científico e a necessidade de juntar cientistas e decisores na definição de políticas, algo pelo qual sempre se bateu”, disse o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, um dos responsáveis pela iniciativa.

Em declarações à Lusa, a propósito da primeira edição da conferência, que ocorrerá no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, o ministro afirmou que o cientista homenageado esteve ligado ao crescimento do investimento na ciência, sobretudo nos anos 80 e 90.

Segundo indicou, Mariano Gago, que foi também ministro da Ciência e da Tecnologia, entre 1995 e 2002, dedicou parte da sua vida ao desenvolvimento e à conceção de políticas científicas em Portugal e na Europa, associadas, sobretudo, ao reforço e à formação avançada de recursos humanos.

A Gago Conference surgiu para fomentar o envolvimento de cientistas, políticos e empresários na definição de políticas europeias que promovam e reforcem a ciência e a tecnologia, incidindo o debate nas estratégias de investigação e de relacionamento com o ensino e com a medicina, contou o ministro.

A escolha do cancro para tema central da primeira edição, continuou, deve-se não só ao facto de ser uma doença que afeta “todas as sociedades”, mas também por estarem a ser discutidos os níveis e as formas de investir em investigação, nomeadamente no âmbito do próximo Programa-Quadro Comunitário de Investigação & Inovação.

De acordo com Manuel Heitor, as tendências atuais indicam que, em 2050, 50% dos doentes com cancro morrerão devido à doença.

Para o ministro, a finalidade de eventos científicos como este, bem como das discussões à volta deste tema, passa por incentivar a investigação tecnológica e clínica, de forma a baixar essa percentagem.

“Esperamos, assim, que até 2030, três em cada quatro doentes com cancro possam ter uma perspetiva longa de vida”, referiu.

A nível económico, Manuel Heitor considerou que o “peso da ciência na economia é indiscutível” e que o aumento do investimento por parte das empresas, nessa área, tem sido crescente.

“As empresas percebem que, para crescerem, têm de investir no conhecimento, havendo cada vez mais empresas, a nível mundial, a investirem. Também a despesa privada, apesar de ainda ser pequena, tem estado constantemente a aumentar”, acrescentou.

Quanto ao investimento nacional nesta área, salientou a existência de um programa “muito grande” para reforçar o emprego e de um “compromisso político” para, durante esta legislatura, “melhorar as condições de emprego e as carreiras científicas”.

Esse trabalho, garantiu, passa igualmente por aplicar, no contexto nacional, medidas científicas utilizadas na Europa, bem como por divulgar, junto dos decisores políticos europeus, a evolução da ciência em Portugal.

A Gago Conference é promovida por Manuel Heitor, em parceria com o diretor científico do Danish Centre for Translational Breast Cancer Research, Julio E. Celis, a ex-deputada do Parlamento Europeu Teresa Madurelli, e a presidente da Agência Ciência Viva, Rosália Vargas.

Esta primeira edição é composta por painéis de discussão que integram representantes de governos, das comunidades médicas, académicas e científicas, assim como de empresas europeias.

Durante o evento, serão ainda entregues três medalhas, as Gago awards, a profissionais que se destacaram no desenvolvimento e na divulgação da ciência.

LUSA/SO