O secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) defende que colocar as necessidades do doente no centro do sistema de saúde deve deixar de ser um “mero cliché” e tornar-se “um imperativo prioritário”. A propósito do Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de Fevereiro, João Araújo Correia diz que a comunicação não verbal é fundamental para que se forme uma relação de confiança entre o médico e o doente.

“Se o médico se apresentar com pressa, inquieto, a olhar de soslaio, não há empatia que resista. Temos de encontrar um equilíbrio entre o tempo eficaz de resposta e a qualidade assistencial que urge preservar”, alerta Correia.

O facto de o número de reclamações na área da saúde ter aumentado mais de 10% no primeiro semestre do ano passado (para cerca de 32 mil) não significa, segundo o presidente da SPMI, uma degradação dos cuidados médicos em Portugal. “Podemos sempre dizer que o aumento do número de reclamações pode refletir a maior transparência do sistema, em que os utentes têm de facto acesso a um grande conjunto de informações que antes lhes eram negadas. Também é verdade que o aumento da exigência acompanha a evolução socioeconómica da sociedade, pelo que este fenómeno não é exclusivo do nosso país”, diz o também diretor do Serviço de Medicina do Centro Hospitalar do Porto.

João Correia critica os políticos e diz que o problema do subfinanciamento do SNS se estende a todo o país. “Os políticos, ao divulgarem de forma frenética os tempos de espera das consultas ou do atendimento na Urgência, comparando os hospitais e, por vezes, penalizando os que têm piores resultados, transmitiram para a população a ideia simplista e errónea de que os problemas nos cuidados de saúde são de apenas aquela equipa ou Instituição e não do Sistema de Saúde disfuncional e subfinanciado”, acusa o médico.

O secretário-geral da SPMI reconhece que há aspetos em que os médicos se têm de aproximar mais dos doentes “e deixá-los participar mais nas decisões de diagnóstico e terapêutica”, mas diz estar preocupado com a “agressividade dos doentes em espera no Serviço de Urgência contra equipas de médicos e enfermeiros, esgotados a trabalhar sem parar, que mesmo assim são acusados de não fazerem o suficiente”.

 

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