Portugal está a participar num estudo multinacional da Federação Internacional de Diabetes (IDF) que avalia o conhecimento que as pessoas com Diabetes têm relativamente ao risco cardiovasculares. “Levar a Diabetes ao Coração” é o primeiro estudo que nos irá mostrar se as pessoas com Diabetes tipo 2 (que correspondem a 90% do total de pessoas com Diabetes) têm noção do risco de desenvolverem um evento cardiovascular.

SaúdeOnline | De onde surgiu a necessidade da realização do inquérito multinacional?

Pedro Matos | Vários estudos prévios e inquéritos feitos nas pessoas com diabetes pareciam mostrar que os diabéticos tinham uma percepção incorrecta do peso relativo das complicações cardiovasculares, sendo as suas principais preocupações as amputações e a cegueira. Isso levou a que não houvesse uma partilha de informação suficiente entre as pessoas com diabetes e os profissionais de saúde, com um consequente défice na estratificação de risco de cada indivíduo e na optimização das estratégias de diagnóstico precoce e intervenção personalizada.

Nesse sentido, a Federação Internacional da Diabetes (IDF), em parceria com a Novo Nordisk, decidiram avançar com este inquérito multinacional para que pelos os resultados obtidos consigam definir ações necessárias para aumentar o conhecimento sobre doenças cardiovasculares junto das pessoas com diabetes tipo 2, e melhorar a sua saúde.

SO | Quais foram os principais resultados obtidos, para já?

PM | Neste momento o projecto da iniciativa da IDF está ainda numa fase embrionária porque os resultados são muito limitados quer em termos de número de respostas, quer na distribuição geográfica. Os primeiros resultados apresentados no Congresso da IDF há pouco mais de 1 mês, na sua maioria respeitantes à Dinamarca, mostram que 1 em cada 3 dos inquiridos acha que tem um baixo risco cardiovascular (CV), 1 em cada 6 nunca conversaram com um profissional de saúde sobre a doença CV e um quarto nunca recebeu informação sobre doença CV após o diagnóstico de diabetes. Para além disso existe uma percepção incorrecta em muitas pessoas sobre o que são consideradas complicações CV da diabetes e quais são as medidas mais importantes para as prevenir.

Como Portugal é um dos países onde a diabetes tem mais expressão, seria fundamental fomentar uma maior expressão dos resultados portugueses. Assim sendo, convido os portugueses com diabetes tipo 2 a participarem de forma mais activa, através da resposta ao inquérito através do link: www.idf.org/takingdiabetes2heart/survey , sendo que o também se encontra disponível na língua portuguesa.

SO | A população em geral tem consciência do risco da diabetes? E no que toca ao risco cardiovascular?

PM | A população está hoje muito mais informada sobre estes temas do que há uns anos atrás. Apesar disso as mudanças comportamentais em termos de estilo de vida não têm tido correspondência na prática clínica. As pessoas continuam a não ter uma alimentação saudável e equilibrada, não fazem exercício regular, não são proactivas no controlo dos factores de risco, não fazem avaliações regulares junto dos profissionais de saúde, não se preocupam em ter um diagnóstico mais precoce. Em muitos casos só se tornam mais interessados após terem tido um evento CV major, altura em que o prognóstico e a esperança de vida já se reduziu de forma significativa.

SO | Quais são os cuidados que estas pessoas devem ter para uma melhor qualidade de vida?

PM | Cumprir as recomendações dos profissionais de saúde, informar-se e entender melhor os riscos para as complicações CV, perceber como o controlo da diabetes e dos factores de risco CV estão directamente relacionados com o aparecimento das complicações.

SO | Qual é a área de atuação da Federação Internacional da Diabetes?

PM | A Federação Internacional da Diabetes tem várias missões na área da diabetes. Avaliar a expressão da doença nos diferentes pontos do globo, identificar as lacunas e as assimetrias existentes a nível mundial, estabelecer directrizes para uma forma mais transversal de combater a pandemia. O acesso aos cuidados de saúde, às inovações tecnológicas e terapêuticas não é igual para todos e um dos papéis da IDF é tentar abordar os problemas existentes em cada ponto do globo, em especial nos países onde há mais restrições. A IDF cumpre a missão de divulgar os números da diabetes através do atlas publicado anualmente e publica números especiais sobre diversas áreas de intervenção e complicações da diabetes.

 

SO/Sara Fernandes

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