No âmbito do juramento de Hipócrates que 560 médicos fazem no domingo, no Porto, António Araújo lamentou a insuficiência de vagas em especialidades para estes jovens médicos, afirmando, contudo, que “há que lhes transmitir uma mensagem de esperança”.

“Temos a certeza que faltam médicos no SNS e que estes são precisos. Esperamos que o Governo garanta os recursos humanos necessários para a sustentabilidade e a qualidade do SNS”, afirmou.

O responsável destacou também que “a profissão médica tem evoluído, permitindo encarar novos desafios”, em vez da observação e tratamento de doentes.

António Araújo apontou a investigação, a bioinformática e a gestão de unidades de saúde como “outras saídas profissionais que complementam os objetivos dos cursos” que os médicos tiraram.

“Infelizmente, continua a existir a possibilidade de emigrar”, disse, acrescentando que Portugal consegue formar médicos de “qualidade excelente” que “facilmente encontram lugar noutros países”.

Para o presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, as faculdades de Medicina e o Ministério do Ensino Superior “partilham da visão de que não têm que garantir trabalho aos alunos” e nem todos conseguem vaga em especialidade.

O jornal Público noticia hoje que há 69 médicos que estão à espera que seja lançado o concurso excecional criado pelo Ministério da Saúde desde que ficaram sem acesso a uma vaga para fazer a especialidade em 2015.

“Desde 2015, quando terminaram o ano comum, que estes médicos estão num impasse à espera de vagas para fazer a especialidade. Na altura eram 114, mas alguns entretanto deixaram o SNS ou o país”, escreve o diário.

A cerimónia do juramento dos 560 médicos vai ter lugar no domingo, na Casa da Música, às 16:30.

Lusa/SO