As médicas anestesiologistas portuguesas Amélia Ferreira, Célia Mendes Xavier, Ana Pinto Carneiro e Patrícia Borges

Médicas anestesiologistas portuguesas participaram,  com  o  apoio da BioMarin, neste curso de simulação clínica que decorreu em Barcelona. Estas participantes pertencem a centros de referência na área das doenças hereditárias do metabolismo, onde existem equipas multidisciplinares com experiência no acompanhamento de doentes com MPS. Em Portugal, os centros de referência nesta área são o Centro Hospitalar de São João, Centro Hospitalar do Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Lisboa Central. Neste curso, organizado pelo Darwin Simulation Center, do Hospital Pediátrico de San Joan de Déu, e pela BioMarin, foram utilizados simuladores avançados que mimetizam situações clínicas de elevada complexidade. Para o diretor do curso, Dr. Ferran Manen Berga, o objetivo primordial é o aperfeiçoamento e a uniformização dos procedimentos anestésicos em doentes MPS, em cirurgias ou outras situações onde a sedação é necessária.

“É importante lembrar que qual-quer procedimento numa criança ou adolescente com MPS é sempre uma situação de risco. Planear toda a atuação anestésica é importante, sem esquecer o pós-operatório e a necessidade de ventilação não invasiva”, salienta Célia  Mendes  Xavier, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

O curso iniciou-se com uma componente teórica, que englobou diversas áreas de especialidade, como a cardiologia, pneumologia, hemodinâmica,  radiologia, e todo o tipo de procedimentos anestésicos adotados antes, durante e após intervenção cirúrgica. A segunda parte da formação incidiu na simulação clínica. As vantagens deste método residem,  sobretudo, no  aumento da segurança dos doentes e, em termos educacionais, na possibilidade de “aprender fazendo”. No final de cada simulação realiza-se um “debriefing” para consolidar todos os conceitos e técnicas aprendidas. Amélia Ferreira, do Hospital de São João, no Porto, salienta a importância da componente de simulação do curso: “com a recriação de cenários clínicos, de uma forma interativa, torna-se mais fácil a aprendizagem de atitudes e de competências, incluindo a tomada de decisões em situações de crise”.

 

 

 

 

 

 

 

Em Portugal, esta técnica já é utilizada em várias unidades de saúde e instituições de ensino. No entanto, com as especificidades de Mucopolissacaridoses – onde a cirurgia está associada a uma alta taxa de mortalidade – este método de ensino com recurso à simulação clínica só existe no Hospital Pediátrico de San Joan de Déu, no Darwin Simulation Center.

As MPS são doenças hereditárias do metabolismo, multissitémicas e progressivas. Dependendo do tipo e grau de afetação, a expetativa de vida destes doentes pode ser bastante reduzida. Desde 2003, têm surgido cada vez mais tratamentos para MPS com vista a proporcionar uma maior qualidade de vida e longevidade ao doente.

Nestas patologias, existe um grande risco anestésico, pois há uma alta prevalência de obstrução das vias aéreas e doença pulmonar restritiva em combinação com manifestações cardiovasculares. “O facto de surgirem poucos casos na nossa prática clínica não nos permite possuir uma metodologia de abordagem como aquela que este curso transmite”, salienta Ana Pinto Carneiro, do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. A baixa incidência das MPS e a pouca experiência existente nos diferentes centros levam a uma certa heterogeneidade na prática anestésica. “No futuro espero conseguir sentir segurança nas minhas decisões de anestesiar ou sedar crianças ou adolescentes com esta patologia. Lembrar  sempre que cada caso é um caso e do grande desafio, sobretudo ao nível da via aérea, neste grupo de doentes”, afirma a anestesiologista do Hospital de Santa Maria.

Esta edição contou igualmente com participantes da Alemanha, Itália, Lituânia e Turquia.

A BioMarin desenvolve e comercializa produtos biofarmacêuticos inovadores para doenças genéticas graves. A empresa está empenhada em atender às diferentes necessidades de doentes com MPS, assim como dos seus familiares, médicos, profissionais de saúde e grupos de apoio, através de programas e serviços para os apoiar, como é o caso desta formação para médicos que fazem a gestão anestésica de doentes com MPS.

SO/SF