O HOPE conquistou o primeiro lugar e um prémio de 50 mil dólares (cerca de 42 mil euros), num concurso internacional que distingue tecnologias para doentes oncológicos.

Ao constatar que as crianças internadas com doença oncológica se debatem com ansiedade e elevado sedentarismo, o investigador desenvolveu a sua tese de mestrado em Oncologia no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS) e no Instituto Português de Oncologia (IPO), idealizando um “jogo sério” em 2D – para tablets e smartphones – onde os jogadores (dos 6 aos 10 anos) são desafiados a desmitificar a doença e a melhorar a sua condição física.

O HOPE conta a história de uma criança que, ao longo de vários níveis, percorrendo diferentes espaços (hospital, casa e escola) e contando com vários aliados (a família, o médico, os enfermeiros…), luta contra o cancro como um super-herói lutaria contra os maus da fita. Recorrendo a uma tecnologia inovadora que deteta os movimentos das crianças, o jogo inclui ainda uma parte de entretenimento que integra a prática de exercício físico, para que os utilizadores consigam melhorar a sua condição física, respondendo mais eficazmente aos tratamentos.

A interatividade e o design apelativo são algumas das mais-valias do videojogo, que foi comprovada através da realização de testes de usabilidade em crianças com e sem cancro. Hernâni Zão Oliveira salienta que o objetivo do jogo é “cativar a atenção dos mais novos e fazer com que o período de tempo que passam no hospital, em casa e na escola seja mais saudável e produtivo”. O investigador espera ter as aplicações disponíveis no último semestre de 2018.

No concurso participaram 160 projetos, oriundos de 21 países. A final decorreu a 15 de novembro, durante a conferência anual da União Internacional para o Controlo do Cancro – World Cancer Leaders’ Summit -, no México. Para Hernâni Zão Oliveira, ter ganho este prémio é um “importante reconhecimento” para divulgar a nível nacional e internacional o potencial português no desenvolvimento de projetos multidisciplinares na área da inovação em literacia em saúde.

SNS/SF

 

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