Nascida a fusão, em 2005, das empresas Yamanouchi e Fujisawa, a Astellas Pharma, é a segunda maior empresa farmacêutica no Japão e a 17ª maior empresa farmacêutica a nível mundial, empregando mais de 17 mil pessoas a nível global.

Em Portugal, a companhia estabeleceu as suas operações em 1967, com a designação de Gist Brocades. Uma designação que seria alterada, em 1991 para Brocades Pharma, e em 1994 para Yamanouchi Pharma.

“A Astellas é uma companhia global, focada no desenvolvimento de novos medicamentos que respondam a necessidades médicas ainda não satisfeitas”, começa por explicar Filipe Novais, diretor-geral da Astellas Portugal. “As operações globais estão estruturadas em três grandes áreas geográficas: Japão e Ásia; Europa, Médio Oriente e África; e Américas, acrescenta”.

Em termos de vendas globais, a Astellas mantém um crescimento médio próximo dos 6%/ano, superior à média do setor. Uma performance acompanhada pela sua filial portuguesa, mesmo com as dificuldades de acesso ao mercado – particularmente no que respeita à concessão de comparticipação – que marcam o panorama nacional.

“O mercado português corresponde apenas a cerca de 2% do mercado europeu”, aponta Filipe Novais. Segundo o gestor, “Portugal apresenta particularidades que o distinguem dos demais mercados europeus. Uma dessas singularidades, a falta de previsibilidade, é um dos principais problemas que as empresas farmacêuticas – e também as dos demais setores de atividade – que atuam no nosso país, têm de enfrentar. É uma entropia que dificulta qualquer tipo de planeamento que se pretenda fazer”, acentua.

“O nosso objetivo, enquanto companhia farmacêutica, é disponibilizar os medicamentos aos doentes que deles necessitam. Portugal é um país onde, tradicionalmente, o acesso ao mercado, é mais difícil; onde é difícil conseguir-se a comparticipação dos medicamentos por parte do Estado. Daí que no nosso portfolio tenhamos um “mix” de medicamentos que vão desde medicamentos totalmente financiados pelo estado e outros sem qualquer comparticipação”.

Oncologia, transplantação, urologia e infeciologia são as principais áreas terapêuticas alvo de Investigação e desenvolvimento (I&D) por parte da Astellas. Em termos de vendas, a empresa conta com três produtos “core”: na área da oncologia, no tratamento do cancro da próstata. “Trata-se de um medicamento com um impacto muito positivo na qualidade de vida destes doentes”, destaca Filipe Novais, que aponta as outras “estrelas da companhia: “Um  medicamento na área da transplantação – em que a Astellas é também líder mundial e finalmente um conjunto de medicamentos na área da urologia, onde também somos líderes mundiais, de entre os quais se destaca um fármaco indicado no tratamento da bexiga hiperativa, condição muito subdiagnosticada que afeta dezenas milhares de mulheres, com um impacto muito negativo na sua qualidade de vida”, concretiza. Trata-se de um medicamento que embora não seja comparticipado pelo SNS, é muito utilizado, devido aos excelentes resultados que permite alcançar”, destaca Filipe Novais.

Como não podia deixar de ser, numa companhia farmacêutica global, a Investigação e Desenvolvimento de novos produtos ocupa uma parte muito importante dos recursos humanos e investimento da Astellas. “Uma companhia como a Astellas só sobrevive e cresce se apostar fortemente na I&D. Uma vertente que também se realiza em Portugal, onde a empresa tem neste momento a decorrer, em diferentes hospitais do país, alguns ensaios clínicos de fase 3. “É uma área fundamental, permite que médicos e doentes tenham acesso a novas opções de tratamento”, acentua o Diretor Geral da Astellas Portugal.

A realização, em Portugal, de ensaios clínicos, assume particular relevância, também, por ser uma área em que a concorrência internacional é muito forte, “o que traduz uma melhoria muito significativa da realidade portuguesa em termos de processos e a qualidade dos profissionais de saúde envolvidos. Temos hoje profissionais muito bem qualificados, reconhecidos internacionalmente”, salienta.

Ainda em sede de I&D, Filipe Novais destaca o muito promissor pipeline da Astellas, de onde se destacam quatro medicamentos em fase III (pré-marketing), que a empresa conta colocar no mercado dentro de dois anos. Um deles, indicado no tratamento da anemia em doença renal crónica, uma nova área em que a Astellas decidiu apostar. “Trata-se de um medicamento inovador, uma nova classe terapêutica e que terá, seguramente, um grande impacto no tratamento destes doentes”, assegura o responsável. Para o curto prazo serão ainda lançados dois medicamentos oncológicos, um deles, indicado no tratamento do cancro gástrico, uma área em que os recursos terapêuticos atualmente disponíveis são muito escassos. “Pensamos que dadas a necessidades não satisfeitas nesta área terapêutica, e os excelentes resultados dos ensaios clínicos já realizados, o novo medicamento poderá ser alvo de uma aprovação mais célere”, revela. Até 2019, será também lançado um medicamento indicado no tratamento da leucemia mieloide um tipo de cancro particularmente agressivo e uma vacina inovadora, indicada na prevenção da infeção por citomegalovírus.

Filipe Novais está confiante de que será possível, nos próximos anos, aumentar o número de ensaios clínicos realizados em Portugal com produtos de investigação da Astellas. “Os ensaios clínicos são geridos de forma muito pragmática. Obedecem a um conjunto de regras muito restritas e ao mesmo tempo a timings muito apertados. A escolha de um país para acolher um ensaio clínico está associada à sua reputação nesta área. Ora, Portugal registou grandes avanços nos últimos anos, o que se refletiu, também, num aumento do número de ensaios clínicos realizados no nosso país”, explica o gestor, que acentua “os enormes benefícios para os doentes, que assim podem aceder mais cedo aos medicamentos inovadores e para o próprio Estado, já que os custos associados são suportados integralmente pelas empresas farmacêuticas”.

Medicina humanizada num mundo digital

A Astellas Farma está a organizar uma Conferência subordinada ao tema: “Medicina Humanizada num Mundo Digital “com o objetivo de explorar como é possível compatibilizar uma medicina humanizada e o avanço do mundo digital, tendo como fim um bem comum: O Doente.

Quisemos saber de Filipe Novais se considera possível essa convergência num setor em que abundam as queixas, de médicos e doentes, de que as TI deixam cada vez menos tempo à relação médico/doente. “Será uma conferência onde os diversos intervenientes irão debater o tema sob o seu ponto de vista. Esperamos que das intervenções e do debate que se seguirá seja possível recolher elementos que ajudem a perceber como compatibilizar as TI e o imperativo do foco no doente.

Intervenção na comunidade: uma Missão

A par com esta iniciativa, de carácter mais abrangente, a Astellas Portugal aposta forte na intervenção na comunidade, desenvolvendo um vasto conjunto de ações. “A responsabilidade social é uma das vertentes em que a Astellas tem reservado tempo e recursos, das mais diversas formas, a nível global e em Portugal. De entre as muitas iniciativas, destacaria dois programas, um de abrangência global e outro nacional. O primeiro é o programa Action on Fistula, uma iniciativa liderada pela Fistula Foundation. Trata-se de um programa que tem como objetivo contribuir para resolver um problema de saúde com um enorme impacto negativo na vida de milhares de mulheres africanas: a fístula obstétrica. Trata-se de uma condição devastadora resultantes de complicações no parto, que afeta mais de 2 milhões de mulheres no mundo, particularmente parturientes muito jovens de comunidades com poucos recursos de saúde, maioritariamente em África. Através do Action on Fistula, formamos médicos, capacitando-os para procederem à intervenção cirúrgica, relativamente simples, de resolução do problema. Estamos neste momento a trabalhar no Quénia, país que regista uma elevada prevalência desta condição.

Em Portugal a empresa destina, todos os anos, uma verba específica para programas de responsabilidade social. “Apoiámos o fundo de medicamentos “Abem”, um fundo solidário resultante de uma parceria entre o setor social – Cáritas Portuguesa e Plataforma Saúde em Diálogo e o setor da saúde – Associação Nacional das Farmácias e Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, de apoio a pessoas que se encontram numa situação de carência económica e não conseguem comprar os medicamentos que precisam”, explica Filipe Novais. Apoiamos ainda instituições de solidariedade social, com um “mix” de fundos, da própria companhia e de doações voluntárias dos colaboradores. Neste âmbito realizámos ações com o projeto “Oeiras Solidária”, que desenvolve trabalho no concelho em que estamos sedeados. No próximo ano vamos apoiar a aquisição de equipamento para a Associação “No meio do Nada” que presta serviços de apoio de natureza moral e material a pais e familiares de crianças com vivências em Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos, promovendo um equilíbrio biopsicossocial e familiar. Trata-se de uma instituição com fortes laços ao Hospital de Santo António, no Porto e que dispõe de uma casa “O Kastelo”, doada pelo Centro Hospitalar do Porto com o objetivo de ser utilizada exclusivamente por crianças doentes, com alterações cognitivas profundas. “Já tive a oportunidade de visitar a instituição onde trabalham pessoas muito dedicadas que vão dar a maior utilidade a este nosso apoio”.

Para além destas iniciativas, a Astellas promove, todos os anos, o “Changing Tomorrow Day”, dia em que a companhia dispensa os colaboradores para irem trabalhar em programas de solidariedade social. “No próximo “Day”, iremos ajudar a Associação “No Meio do Nada”, através da plantação de um pomar destinado às crianças utentes do Kastelo”, concretiza Filipe Novais.

 

Miguel Múrias Mauritti