Uma década volvida, Teresa Rato, Coordenadora da Unidade diz que a aposta no novo modelo permitiu ganhos que de outra forma não seria possível alcançar. “A nossa forma de trabalhar é agora muito mais orientada”, aponta a médica de família.

As obras duraram meses, mas a 16 de junho de 2007, a USF CSI Seixal encontrava-se, finalmente, em condições de avançar, com sete médicos, sete enfermeiros e cinco secretários clínicos. Volvida uma década, a equipa cresceu (são agora oito médicos, oito enfermeiros e seis secretários clínicos) e conseguiu aumentar o seu espaço de trabalho. Apesar disso, as obras não foram especialmente relevantes e a USF ressente-se com a ausência de alguns equipamentos (por exemplo, ar condicionado na secretaria e na sala de espera, o que é objeto de “reclamações atrás de reclamações” por parte dos utentes, agora na ordem dos quinze mil).

 

 

 

 

 

 

As obras de adaptação do espaço de forma a acomodar duas USF foram um dos vários problemas que a equipa teve que enfrentar. Um obstáculo ultrapassado com o apoio de todos os profissionais que “arregaçaram as mangas” de modo a garantir que na data prevista, o serviço estava pronto para receber os milhares de utentes que serve.

Intensa atividade de formação

De entre os pontos positivos da evolução registada pela equipa ao longo dos últimos dez anos, a coordenadora salienta que “a nossa forma de trabalhar é agora muito mais orientada”. Neste âmbito destaca-se, desde logo, uma maior ligação entre os médicos e os enfermeiros. A coordenadora enfatiza que, embora a USF tenha avançado, em 2007, com alguns enfermeiros tarefeiros, hoje todos pertencem ao quadro. A única exceção encontra-se no setor administrativo, com um elemento ainda a contrato.

Essa estabilidade tornou possível formar equipas de família (constituídas por médico, enfermeiro e assistente operacional) e dotar a USF das capacidades necessárias para uma intensa atividade de formação. Dois dos médicos que trabalham hoje na USF “foram meus internos”, revela Teresa Rato. Sucedem-se ainda os Internos do Ano Comum, cujos estágios rondam os três meses, alunos de outros anos do curso de Medicina e ainda de Enfermagem.

 

 

 

 

 

 

Uma das propostas iniciais apresentadas pela equipa era a do acompanhamento das grávidas. “Decidimos comprometermo-nos a fazer o seguimento de todas as grávidas que pertencessem à área de influência da USF”, explica Teresa Rato. Embora não completamente concretizados, os objetivos da equipa são hoje visíveis no dia-a-dia da USF.

“Os utentes estão em primeiro lugar”

A USF CSI Seixal avançou em 2007 em Modelo A e demorou cerca de dois anos a alcançar o Modelo B, essencialmente devido a constrangimentos relacionados com problemas de saúde de alguns elementos e ainda com alterações na composição da própria equipa. “Queria ter a certeza que quando nos candidatássemos, teríamos reunidas todas as condições”, o que acabaria por suceder a 1 de julho de 2009.

Neste percurso já longo, Teresa Rato lamenta que persistam alguns dos antigos problemas, nomeadamente, falhas nos sistemas informáticos que dificultam o trabalho da equipa, atrasos na contratualização e excessiva dependência dos indicadores, sobretudo de eficiência.

As despesas com meios complementares de diagnóstico e medicamentos fazem parte deste grupo de indicadores mas, segundo Teresa Rato, “temos uma margem de manobra muito pequena que todos os anos diminui ainda mais”, apesar do envelhecimento da população, do aumento das doenças crónicas, do preço dos fármacos mais recentes ou dos hospitais tentarem “empurrar” o custo dos exames complementares de diagnóstico para os cuidados de saúde primários. “Tudo isso representa um peso muito grande para a unidade” mas “apesar de reclamarmos todos os anos, não nos serve de nada”. Em 2016 “conseguimos cumprir todas as metas” mas houve outros anos em que tal não foi possível, porque “os utentes estão em primeiro lugar”!

 

Na sala de espera há sempre gente à espera. Consulta… programada!

 

 

 

 

 

Na parede do corredor, fotos dos profissionais, ainda bebés, encurta distâncias relacionais entre quem cuida e quem é cuidado

 

 

 

 


Cansados dos atrasos na contratualização

A contratualização é outro quebra-cabeças. “Deveria estar terminada em janeiro e ainda não foi concluída”. Com algum cansaço, Teresa Rato faz notar que “temos que enviar os planos de ação até 14 de julho, para serem vistos nos meses de julho e agosto e depois discutidos, mas andamos aqui a pisar e amassar desde abril”.

A médica de família considera que “todas estas questões deviam ser bem pensadas e bem estruturadas antes de saírem cá para fora”. E avança que “nos querem pôr a inscrever utentes sem médico nas unidades”. Além de que uma medida desse tipo iria subverter completamente o espírito das USF, a coordenadora interroga-se como é que os médicos da USF CSI Seixal, muitos dos quais com listas de dois mil utentes, poderão dar resposta a mais pessoas. “Os outros doentes são tão doentes de primeira como os da nossa USF. Não é isso que está em causa”, assegura. “Agora, têm é que criar estruturas para que possam ser atendidos da mesma maneira”.

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