A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar apresentou este fim-de-semana na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, uma proposta para que as listas de utentes passem a ter em conta as dificuldades de acesso a serviços de saúde em cada município, sugerindo listas que vão de 800 até menos de 1.800 doentes.

Atualmente, o limite máximo é de 1.900 doentes por médico, na prática, esse limite é aplicado como norma. Este número, que era para ser transitório, foi uma condescendência dos sindicatos médicos na altura da crise económica e da assistência financeira a Portugal e já devia ter sido revisto.

Agora, até porque Portugal já não atravessa a escassez de médicos de medicina geral e familiar de há poucos anos, a Associação vai sugerir que se introduza uma nova dimensão na constituição de listas de utentes por médico de família.

A ideia é ter em conta, em cada município, o contexto em que os médicos exercem a profissão, seja devido ao envelhecimento populacional, ao número de domicílios que necessitam de fazer e às distâncias que têm de percorrer, seja as próprias condições das unidades de saúde, como explicou o presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar, Rui Nogueira.

A sugestão dos médicos de família surge na sequência de um estudo feito pela própria associação.

“A proposta agrada-nos. Independentemente dos estudos que vão ser feitos, este estudo é muito importante para mostrar que os médicos de família têm uma lista excessiva de utentes. Mas é preciso é tomar decisões. Temos uma deficiência no tempo da relação médico/doente. Os médicos têm claramente doentes em excesso. A decisão tem é de ser tomada”, afirmou o bastonário Miguel Guimarães.

O representante máximo dos médicos defende que o Ministério da Saúde devia “olhar com atenção” para este estudo da Associação de Medicina Geral e Familiar, lembrando que a redução das listas de utentes é uma medida essencial para melhorar a qualidade da medicina nos cuidados de saúde primários.

LUSA/SO/SF

 

Gedeon Richter