De acordo com o especialista, a reabilitação é uma das medidas fundamentais no tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), mas é importante salientar que “a primeira medida de todas para a tratamento da doença é a cessação tabágica”.

O programa de reabilitação respiratória é indicado para os doentes com DPOC, que já têm um determinado impacto na sua capacidade física, como por exemplo algumas dificuldades em realizar tarefas básicas no seu dia a dia, “subir as escadas, jogar a bola, ou até mesmo brincar com as crianças”, ressalvou o especialista.

Em Portugal, apenas 1% dos cerca de 800 mil doentes com DPOC têm acesso a programas de reabilitação respiratória. Uma carência que para João Cardoso precisa ser resolvida com uma maior participação do Estado.

“Para que estes programas sejam comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), fora do contexto hospitalar, é necessário vontade política. Existe uma necessidade, mas a oferta está ainda limitada”, salientou.

O tabaco em Portugal

Segundo João Cardoso, “o tabaco é o principal fator causador da DPOC”, sendo que em Portugal os dados apontam para uma prevalência da doença, de 14,2%, sendo os homens os mais afetados. “De acordo com dados disponíveis estima-se que entre 40 a 50% dos fumadores venham a sofrer de DPOC e que os hábitos tabágicos são responsáveis por 90% dos casos da doença”, concretiza João Cardoso.

“Em Portugal e em termos de consumo de tabaco temos a volta de 23% de fumadores, o que comparativamente com outros países europeus não nos coloca na lista dos piores, dado que houve um pequeno decréscimo nos últimos anos”, mas é preciso diminuir ainda mais esta incidência, alerta o especialista.

Para o médico uma das questões preocupantes que se colocam é a de que, nos últimos anos, tem-se registado uma diminuição da idade de início de consumo de produtos de tabaco. “Antes começava-se a fumar entre os 17 e 18 anos e agora o início é aos 15 ou 16 anos”, destaca João Cardoso. “Começam cada vez mais cedo, e há cada vez mais raparigas e esta é uma questão que nos preocupa. Nas faixas etárias mais baixas, registamos prevalências de entre 30 a 35% de fumadores”, acrescenta.

Manifestação da doença em função do consumo de tabaco

“Nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao tabaco. Há quem fume pouco e tenha grandes lesões e há quem fume muito e acabe por ter pouca repercussão respiratória. A confirmação da DPOC é feita por um teste simples mas essencial que é a espirometria.

Em termos gerais, o desenvolvimento de DPOC leva cerca de entre 20 a 30 anos de exposição ao tabaco. Normalmente, entre os 30-40 anos de exposição começam a aparecer os primeiros sinais de mau funcionamento dos pulmões”, explicou João Cardoso

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o tabaco é uma das principais causas de morte evitáveis, sendo que todos os anos morrem mais de seis milhões de pessoas, das quais 600 mil são fumadores passivos.

Atualmente, os programas de reabilitação respiratória assentam em três pilares: o controlo clínico, exercício e educação.

O programa permite ao doente, uma melhoria na funcionalidade, um aumento da capacidade para o exercício, a melhoria global da qualidade de vida, uma maior autonomia, a diminuição dos sintomas e da incapacidade física e psicológica e a melhoria da aptidão física, mental e consequentemente da performance dos pacientes, promovendo a reintegração social máxima dos mesmos.

Recentemente, para apoiar esta causa foi lançada a respiramelhor.pt, uma plataforma pioneira que compila informações sobre as doenças respiratórias crónicas, com uma secção dedicada à prevenção e cessação tabágica.

“Neste Dia Mundial Sem Tabaco aproveite para praticar exercício físico e respirar ar puro”, conclui.

SO/CS