Iniciativa da Coordenação do Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas da Direção Geral da Saúde (2004-2014), que associou a Sociedade Portuguesa de Reumatologia e a NOVA Medical School da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa, o projeto vencedor acompanhou mais de 10 mil indivíduos representativos da população adulta portuguesa com o objetivo de caracterizar as doenças reumáticas em Portugal quanto à sua distribuição e impacto na saúde e na vida dos portugueses.

O trabalho da equipa do também Professor Catedrático e Diretor da NOVA Medical School veio mostrar que mais de metade da população adulta portuguesa (56%) sofre de pelo menos uma doença reumática. No entanto, apenas 22% dos indivíduos tinham diagnóstico prévio de doença reumática. Isto é, mais de metade dos casos não estavam diagnosticados e não eram sequer interpretados como doença reumática pelos seus portadores.

Estas ausências de diagnóstico e/ou desinformação surgiram sobretudo nas regiões mais interiores do País e nas zonas limítrofes dos grandes centros urbanos.

Refira-se que as doenças reumáticas estão associadas a avultados consumos de recursos em cuidados de saúde, com elevados custos económicos, por exemplo, consultas médicas, hospitalizações, cuidados domiciliários, tratamentos fisiátricos e absentismo laboral.

Só em perdas de produtividade associadas a doenças reumáticas, a equipa do professor Jaime Cunha Branco contabiliza valores da ordem dos 910 milhões de euros anuais, ou seja, 0,5% do Produto Interno Bruto português.

Prémio BIAL de Medicina Clínica

O trabalho “Pé Di@bético – soluções para um grande problema” de Maria de Jesus Dantas, Responsável pela Consulta Multidisciplinar de Pé Diabético no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa (CHTS), venceu o Prémio BIAL de Medicina Clínica, no valor de 100 mil euros.

O trabalho de Maria de Jesus Dantas abarca 18 anos de prática clínica no CHTS, a segunda unidade em Portugal a disponibilizar consultas para pé diabético.

Os problemas do pé são a principal causa de ocupação das camas hospitalares pelos diabéticos e responsáveis por mais de 60% das amputações não traumáticas dos membros inferiores. Os pacientes diabéticos são amputados 15 vezes mais do que os não-diabéticos. Em Portugal são amputados cerca de 5 doentes por dia devido à diabetes.

Menções honrosas para imunoterapia oncológica e osteoporose

À semelhança de edições anteriores, para além do Grande Prémio e do Prémio de Medicina Clínica, foram ainda contemplados com menções honrosas, no valor de 10 mil euros cada, dois trabalhos de investigação realizados por jovens investigadores. Bruno Silva-Santos, Vice-Diretor do Instituto de Medicina Molecular e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, conquistou uma menção honrosa pelo trabalho “Cancer immunotherapy: changing the paradigma”. A imunoterapia do cancro baseia-se na ativação do sistema imunitário, nomeadamente dos linfócitos T, um tipo de glóbulos brancos dotado de elevada atividade anti-tumoral. Trata-se de uma mudança de paradigma no combate ao cancro, porque permite manipular o hospedeiro (os linfócitos) em vez do tumor, o alvo dos tratamentos convencionais.

O trabalho de Bruno Silva-Santos nesta área começou há dez anos já deu origem a patentes internacionais e a uma empresa (start-up) de biotecnologia, a Lymphact S.A. A investigação já foi testada em modelos animais e a equipa vai agora desenvolver ensaios clínicos em vários tipos de cancros hematológicos e sólidos.

A outra menção honrosa foi atribuída ao projeto “Changing the paradigm of osteoporotic fracture prevention in Portugal. From national evidence to clinical practice and guidelines” de José Pereira da Silva, Professor Catedrático de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e a Andréa Marques, Enfermeira no Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Esta obra resulta de uma pesquisa de quatro anos de trabalho que pretende mudar a face da prevenção de fraturas osteoporóticas em Portugal, desde a abordagem do doente individual até às políticas nacionais de saúde.

De salientar que a osteoporose, e as fraturas que lhe estão associadas, representa já um enorme encargo social quer em termos económicos (mais de 200 milhões de euros em custos anuais em Portugal, só com fraturas da anca) e em excesso de mortalidade. Os autores alertam que este impacto ameaça subir exponencialmente no futuro, com o aumento da longevidade da população. Para evitar esta escalada são necessárias mudanças na estratégia nacional de combate à osteoporose, mudanças que têm de ser estruturadas e alicerçadas cientificamente. Deste trabalho resultam dados cientificamente sólidos para fundamentar as decisões de tratamento para doentes individuais e para a definição de estratégias de Saúde Pública nesta área pelas autoridades nacionais.

A 17ª edição do Prémio BIAL, realizada em 2016, celebrou o 32º aniversário daquele que é considerado um dos maiores prémios na área da Saúde na Europa, distinguindo a investigação básica e a investigação clínica em medicina.

Instituído em 1984 pela Fundação BIAL, o Prémio BIAL recebeu 655 obras candidatas de 1.591 médicos e investigadores de 20 países. A Fundação BIAL distinguiu já 266 autores responsáveis pelas 99 obras premiadas. No total, já foram editadas 37 obras, distribuídas gratuitamente pela comunidade médica, num total de mais de 312 mil exemplares.

 

MMM