Os resultados preliminares de um estudo científico da Universidade do Porto sobre o tratamento psicológico e farmacológico da disfunção erétil revelam que os homens que se sujeitaram a uma terapia cognitivo-comportamental durante três meses apresentaram melhorias “tão eficazes quanto o próprio efeito da medicação tomada diariamente”, designadamente ao nível da “resposta de ereção”, “funcionamento sexual em geral” e “satisfação sexual”, avançou o investigador da Universidade do Porto Pedro Nobre.

Outro dos dados relevantes do estudo sobre disfunção erétil é que as melhorias na saúde dos homens com o problema prolongam-se a médio e longo prazo (três e seis meses depois da terapia), enquanto nos homens que fizeram apenas medicação, “uma parte significativa” voltou a ter o problema assim que para de tomar os medicamentos.

“A grande diferença aqui parece ser que a psicoterapia não só em termos de curto prazo é tão eficaz como a medicação, mas a longo prazo mantém o seu efeito, portanto mantém uma capacidade de manter as pessoas com uma vida sexual ativa muito para além do tratamento, enquanto a medicação esse impacto é muito mais reduzido”, observa.

Segundo Pedro Nobre, os resultados preliminares são “bastante promissores”, pois sugerem que o tratamento de uma das mais perturbantes dificuldades sexuais masculinas “não está necessariamente dependente da medicação”, existindo alternativas igualmente eficazes que melhoram “não apenas a própria capacidade de ereção, como a própria satisfação sexual”.

Um em cada 10 homens em Portugal apresenta “algum nível de dificuldade na ereção” e as consequências negativas manifestadas nos homens com aquele problema vão desde a depressão, à ansiedade, passando por divórcio do casal ou “dificuldade em procurar parceiro estável”, mas também há relatos de um aumento de consumo do álcool e drogas e, em casos extremos, o suicídio, enumerou Pedro Nobre.

O estudo sobre o problema da disfunção erétil tratado com terapia cognitiva vai ser o tema da conferência inaugural do seminário internacional “Investigação da Sexualidade Humana”, marcada para as 10:45 de amanhã, e que vai decorrer na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).

Erick Janssen, um dos mais produtivos investigadores na área da sexologia atualmente e investigador principal em projetos de investigação nas áreas do ajustamento marital, comportamentos de risco, saúde sexual e papel das emoções na resposta sexual, é um dos convidados do evento e vai encerrar o programa de trabalhos com uma conferência denominada “novas direções no estudo sobre sexo e relações”.

Ao longo do dia, o seminário internacional e multidisciplinar vai ter várias mesas para apresentação de trabalhos na área da sexualidade, designadamente sobre educação sexual em contexto escolar, transexualidade, satisfação sexual relacionada com problemas de infertilidade ou a primeira gravidez, legalidade sobre o trabalho sexual ou sexualidade em pessoas com incapacidades físicas.

LUSA/SO/SF

 

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