“Não havia nenhuma associação a nível continental direcionada para pessoas com dor crónica, sendo uma necessidade não só para os doentes, mas para os familiares, os cuidadores e os amigos que os rodeiam”, afirmou Alexandra de Oliveira, presidente da associação.

A associação, sem fins lucrativos, foi criada em dezembro de 2016, mas só ontem foi apresentada publicamente, no Porto, traçando a “paciência, persistência e positividade” como sentimentos fundamentais para lidar com a dor crónica.

Alexandra de Oliveira frisou que a “dor não se vê, a dor sente-se”, afetando os doentes no “seu todo”.

“A dor provoca alterações emocionais, físicas e profissionais, situação ainda não totalmente entendida pela sociedade”, referiu.

Por esse motivo, a Força 3P pretende divulgar esta problemática através de campanhas e ações de sensibilização, contribuir no apoio social e na humanização da assistência às pessoas com dor e familiares.

Outros dos objetivos da associação é impulsionar estilos de vida saudáveis, incentivar à prática de exercício físico, participar em reuniões ministeriais e estabelecer parcerias com outras instituições.

“O que queremos é melhorar a qualidade de vida das pessoas com dor crónica porque ninguém tem dor porque quer, mas sim porque sente”, realçou.

A responsável frisou ainda a necessidade de cada hospital do país ter uma unidade da dor e ter médicos especializados e sensibilizados para a dor crónica, assim como a importância de aumentar a comparticipação dos medicamentos.

O Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor diz que a “dor, em particular a dor crónica, tem impacto na pessoa muito para além do sofrimento que lhe causa, nomeadamente sequelas psicológicas, isolamento, incapacidade e perda de qualidade de vida. Este impacto pode ultrapassar a própria pessoa e envolver a família, cuidadores e amigos”.

Investigador na área da dor e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, José Castro Lopes salientou, citando um estudo, que a dor crónica atinge mais as mulheres do que os homens.

“É altura de acabar com o flagelo da dor cónica”, entendeu, sublinhando que as pessoas com esta dor têm complicações laborais, nos relacionamentos pessoais e redução das atividades de lazer.

Os custos diretos e indiretos anuais relacionados com a dor crónica em Portugal ascendem aos 4,5 milhões de euros, revelou.

LUSA/SO

 

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